quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ibipora: Discussão do Código Florestal

Uma das maiores discussões políticas que o Brasil está tendo é sobre a aprovação, ou não, do novo Código Florestal, proposto pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB). Este projeto está criando várias divergências entre bancadas governistas, principalmente as dos ambientalistas, ruralistas e acadêmicos. Esta proposta iria mudar algumas leis que regem zona rural do país, modificando o tamanho da Reserva Legal e das Áreas de Proteção Permanente, as APPs.
Apesar da modernização do código ser defendida por todas as bancadas parlamentares, vários pontos deste documento estão causando brigas. Os ruralistas apóiam este projeto e querem que ele seja aprovado o mais rápido possível. Já os ambientalistas, discordam de vários pontos, como a da diminuição da área de APPs em beiras de rios. Eles pedem um maior tempo para discussão antes da aprovação do código.
Mesmo sendo uma discussão que está causando transtornos em Brasília, Ibiporã também sofrerá com está resolução. Para os agricultores da cidade, existe uma importância conhecer e discutir o código florestal.
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ibiporã e vereadora, Maria do Sindicato (PMDB), se diz contra o novo código e que está desapontada. “Este código demorou muito para ser feito e chegaram com algo que é uma vergonha. Estão dando anistia para aquelas pessoas que estão deixando sem mata ciliar as beiras de rios”, comentou.
Já o presidente do Sindicato Rural Patronal de Ibiporã e secretário da agricultura e meio ambiente, Nadir Bigati (PMDB), tem um pensamento contrário ao da vereadora. “Eu fiquei muito feliz com a aprovação do Congresso do novo Código Florestal. Como agricultor, eu vejo que a situação está muito complicada com este código que está em vigor, pois muitas terras não seriam utilizadas para a prática da agricultura”, contou.
Bigati argumentou que muitas Organizações Não Governamentais (ONG) estão transformando o produtor em vilão. “Estas ONGs internacionais estão tentando colocar o agricultor como o vilão da história, mas ele não é. O agricultor desmata para sobreviver e para alimentar as pessoas. Hoje, nós somos contra o desmatamento, porque o tanto que já foi desmatado é o suficiente para a agricultura, basta somente tecnologia para produzir mais”, falou.
Efeito do código no produtor ibiporaense
Os presidentes dos sindicatos rurais da cidade estão com opiniões distintas quanto ao novo código. Uma das principais propostas que afetarão os produtores da cidade é a do tamanho das APPs em beira de rio. Como o Paraná, no governo de Roberto Requião (PMDB), fez um projeto de mata ciliar em beira de rio, os produtores tiveram que renovar está área e isto é um dos pontos que discordam os representantes sindicais.
Para Maria do Sindicato, este projeto de lei será ruim para o pequeno produtor que refez a mata ciliar. “O código trará prejuízo para o produtor ibiporaense. Nós já temos plantado mata ciliar em quase 90% das beiras de rios, respeitando a lei. O pequeno agricultor não vai retirar aquela mata que ele acabou de fazer. Então ele será muito prejudicado, pois ele já pensou no meio ambiente, teve que correr e foi pressionado para plantar está mata. E os grandes, que ficaram na especulação, estão isentos e ganhando com a decisão”, enfatizou a sindicalista.
Nadir Bigati realçou que a diminuição das APPs é positiva e que isto não diminuirá a biodiversidade. “Eu acho que diminuir as APPs em beira de rio de 30 metros para 15 metros é o suficiente. E isto não diminuirá a biodiversidade, pelo contrário. Está biodiversidade irá aumentar, pois onde não existia mata ciliar irá, agora, existir. Claro que não será o aumento que eles queriam, mas irá aumentar está área de proteção sim”, finalizou.
Apesar das discussões, o novo Código Florestal passou pela Câmara dos Deputados com ampla vantagem de votos. Agora, o projeto espera a decisão dos senadores.

Fonte: Paulo Araujo - Agência Tudo Ibiporã

Nenhum comentário:

Postar um comentário